Apresentação

EM BOA COMPANHIA!!

Maria Ângela de Melo Pinheiro

“Às vezes abro a janela e encontro o jasmineiro em flor. Outras vezes encontro nuvens espessas. Avisto crianças que vão para a escola. Pardais que pulam pelo muro. Gatos que abrem e fecham os olhos, sonhando com pardais. Borboletas brancas, duas a duas, como refletidas no espelho do ar. […] Tudo está certo, no seu lugar, cumprindo o seu destino. E eu me sinto completamente feliz.”         (Cecília Meireles)

                E veio o convite: organizar um número especial da Revista Linha Mestra com profissionais da escola pública. Um brilho nos olhos logo me veio!

Atuando como professora em escolas públicas – estaduais e municipais – há mais de duas décadas, muito me alegrou a possibilidade de convidar professores – colegas de ofício – a compartilharem experiências vividas no cotidiano de nossas escolas.

Muito temos a contar sobre o nosso trabalho. Na singularidade de cada texto, narrativas cheias de sonhos, dúvidas, angústias, alegrias, desafios, conquistas. Professores que reinventam o ofício de ensinar e aprender cotidianamente…

A possibilidade do registro escrito – aqui em forma de artigos – apesar de muito desafiadora, vem carregada de sentidos, reflexões, ponderações sobre a prática vivida. Dá-nos a oportunidade de sermos ouvidos, de partilharmos saberes e conhecimentos…  De sairmos do apagamento, tão comuns em nossa sala de aula/lousa/giz, e deixarmos registrado aqui pedacinhos de nossa prática pedagógica.

Duas professoras alfabetizadoras nos contam sobre suas experiências no trabalho com os anos do ciclo inicial de alfabetização: o texto de Ítala Nair Rizzo narra o percurso vivido em sua docência, refletindo sobre os modos de aprender dos seus alunos, principalmente no que se refere à alfabetização e o artigo de Maria Fernanda Pereira Buciano foca na organização do tempo e de sua importância no planejamento do trabalho pedagógico escolar.

Professora de Ciências aposentada, Edna Scola Klein nos traz em seu texto as vozes de seus alunos, que, ao final do ensino fundamental (8ªsérie/9º ano), recuperam memórias e recordações das aulas de Ciências, o que possibilitou a todos – alunos e professora – refletir sobre suas histórias.

“Uma idéia na cabeça, uma câmera na mão”. Essa idéia aparece em três dos textos aqui presentes. Maristela Marçal socializa uma pesquisa realizada com alunos do ensino fundamental II que tem como objetivo perceber os sentidos e significados das imagens (registros fotográficos) e palavras (narrativas) utilizadas por eles ao se referirem ao cotidiano escolar. O professor de Ciências José Antônio de Oliveira nos narra como, na busca por redimensionar a prática do ensino dessa disciplina, vivencia uma experiência de trabalho com imagens fotográficas e cinematográficas. As professoras Renata Lanza e Maria Ângela de Melo Pinheiro socializam experiências de produção de vídeos feitas com o objetivo de dar voz e vez aos alunos na produção da linguagem cinematográfica, narrando como essa prática tem sido incorporada na escola como mais uma possibilidade de criação e expressão.

Professor de Matemática, Antonio Roberto Barbutti, em seu artigo, nos narra o processo de elaboração e aplicação de um projeto em suas aulas, com alunos de 8º ano do ensino fundamental, destacando pontos que o surpreenderam e que foram julgados mais importantes, além de reflexões sobre sua prática em sala de aula.

O artigo do professor Valdemir Cardoso da Silveira trata de um trabalho desenvolvido nas aulas de Geografia em uma escola de jovens e adultos com proposta fortemente inclusiva. Em seu texto, o professor narra os desafios de ensinar Geografia para os alunos deficientes visuais, ao buscar todos os meios para incluí-los e não apenas integrá-los.

Assim como estes professores, muito outros teriam experiências e práticas a serem socializadas, compartilhadas: são muitas Mônicas, Clarices, Andréias, Simones, Doralices… e muitos Sérgios, Fernandos, Josés… que estão aqui representados nestes oito textos. Pessoas e profissionas que acreditam que vale a pena educar com compromisso e investir na qualidade de nossas escolas.

Em boa companhia!!! É assim, que eu gostaria que vocês se sentissem. Na companhia de profissionais que constroem o cotidiano da escola pública.

 

“Mas, quando falo dessas pequenas felicidades certas, que estão diante de cada janela, uns dizem que essas coisas não existem, outros que só existem diante das minhas janelas, e outros, finalmente, que é preciso aprender a olhar, para poder vê-las assim.”                                    (Cecília Meireles)

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